Como o pagamento por reconhecimento facial será mais seguro com a LGPD

22 outubro 2020
Criada em 2018, a LGPD cai como uma luva na pandemia, pois, além de evitar contato físico para fazer uma transação, o pagamento por reconhecimento facial agora tem mais essa garantia da parte das empresas que coletarem e armazenarem dados dos seus clientes: não poderão utilizá-los naquilo que o cliente não permitir.

Até mesmo para a compra mais simples, como fazer a feira da semana, o consumidor precisa decidir qual será o método de pagamento mais adequado de acordo com as suas necessidades de segurança e conveniência.

No contexto atual com a pandemia do novo coronavírus, cujas consequências na vida e na economia são sem precedentes, os variados tipos de pagamento sem contato físico despontaram.

Os pagamentos por aproximação triplicaram nos primeiros meses de 2020, cerca de 18% contra 6% em 2019, segundo o que a Associação Brasileira das Empresas de Cartões e Serviços (Abecs) constatou em junho, por meio de uma pesquisa do Instituto Datafolha. A Mastercard teve um aumento de 40% em pagamentos sem contato no primeiro trimestre de 2020. Só nos EUA, a VISA teve um crescimento de 150% em pagamentos por aproximação (NFC).

Não só isso, senhas com combinações aleatórias (ou não) entre números, letras e outros caracteres especiais dificultam o processo de autenticação de pagamentos; não é raro ter que solicitar novas senhas porque a anterior foi esquecida.

Muitas pessoas esperam ansiosas pela implementação definitiva do PIX em aplicativos de bancos e carteiras digitais, por exemplo. O WhatsApp Pay também tem movimentado o mercado e o interesse dos usuários do aplicativo de mensagens.

Como controlar as vendas trabalhando com diversos meios de pagamento

Os desafios de lidar com múltiplos meios de pagamento

E se a experiência de compra pudesse ficar ainda melhor e com zero contato? 

E se os mais de R$ 60 bilhões que são perdidos todos os anos devido a golpes envolvendo identidades falsas, segundo a Fecomércio, pudessem ser drasticamente evitados? E se o consumidor for a uma loja e tiver a oportunidade de pagar só usando o rosto?

A covid-19 tem sido a principal aceleradora das tendências dos novos meios de pagamento em todo o mundo, como reconhecimento facial, impressões digitais, escaneamento da íris, pagamento por aproximação etc. Para ter ideia, a Business Insider Intelligence prevê que 99% dos smartphones nos EUA terão função de biometria até 2021.

A biometria digitaliza dados biológicos únicos de uma pessoa e os transforma em um registro rastreável. Como a segurança desses dados é altamente criptografada, seu acesso não autorizado se torna muito mais difícil se comparado com as alternativas tradicionais de segurança, como PIN’s por exemplo.

A legislação brasileira tem se adaptado às novas possibilidades de compartilhamento de dados entre pessoas e empresas. Por isso, em 2018, foi criada a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que entrou em vigor em 2020.

O que a LGPD tem a ver com reconhecimento facial? 

Tudo. O objetivo da LGPD é fornecer proteção, privacidade, transparência e liberdade para as pessoas decidirem como querem que seus dados sejam ou não usados. Ou seja, coletar, armazenar e utilizar dados das pessoas por empresas públicas e privadas precisa do aval do dono desses dados.

Por exemplo, as pessoas poderão saber quais informações uma empresa possui a respeito delas – número de documentos, orientação sexual, opção religiosa e política, dados biométricos etc. Além de também poderem solicitar que seus dados sejam retirados do sistema de determinada empresa.

O vazamento de dados e os mais de R$ 80 bilhões perdidos por meio de ataques cibernéticos foram fatos que mais influenciaram a criação da LGPD. O cliente que tiver suas informações utilizadas indevidamente, poderá responsabilizar a empresa que pode ser multada. 

No caso de uso correto de dados de uma pessoa, além do já “habitual” uso de reconhecimento facial para fazer uma compra online, por exemplo, imagine que alguém decide realizar compras em uma loja física.

  1. Previamente o cliente permite que a loja acesse dados com informações para pagamento por meio de reconhecimento facial;
  2. Quando o cliente entra na loja, as câmeras o identificam;  
  3. Depois que o cliente escolhe todos os seus produtos e sai da loja, o sistema desta envia a conta de pagamento por meio de APIs abertas (Interface de Programação de Aplicativos) que são usadas pelo banco do cliente;
  4. Então, os bancos se conectam com as APISs abertas para que o sistema da loja seja enfim conectado e a transação finalizada.

Sem notas fiscais físicas. Sem filas. Sem contato. Sem burocracia para cancelar o acesso da loja aos dados pessoais a qualquer momento. Com muito menos riscos de exposição a fraudes.

Como é pagar com o rosto na China? 

A tecnologia de pagamento com reconhecimento facial não tem sido bem aceita na China, segundo The Wall Street Journal. Algumas pessoas consideram o processo de adesão difícil e se mostram preocupadas com o uso de seus dados e imagens pessoais.

Mais de 6 mil pessoas participaram de uma pesquisa em outubro de 2019 na China e o resultado foi que:

A rede Alipay, por exemplo, investiria cerca de US$ 439 milhões para esse meio de pagamento. Além do WeChat, da Tecente, que também tem se inserido nesse campo. A empresa Yum China Holdings Inc., operadora das marcas KFC e Pizza Hut na China, afirma ter feito o primeiro experimento no mundo com pagamento com rosto em 2017. Batizado de “Smile to Pay”, o sistema da Alipay foi utilizado na cidade de Hangzhou em uma loja conceito do KFC.

Como o pagamento por QR code já faz parte da cultura do país, o pagamento por reconhecimento facial tem encontrado outras barreiras, como o aumento do uso de máscaras para prevenir o contágio do novo coronavírus.

Outro obstáculo é o processo de inscrição. As pessoas precisariam, por exemplo, abrir o aplicativo do Alipay para conseguir ativar a função de pagar com o rosto. Em seguida, devem tirar uma foto na loja onde desejam fazer uma compra para serem identificadas. Finalmente têm que digitar o seu número de telefone ou mesmo inserir uma senha que foi enviada para o mesmo número.

Além disso, as pessoas muitas vezes têm que estar quase que “milimetricamente encaixadas” em frente a um aparelho de reconhecimento facial para que a transação seja finalizada. Por outro lado, quando o cliente já possui cadastro em uma loja e não consegue acessar seu telefone celular, pagar com o rosto é uma vantagem. Pois, basta dar uma olhadinha.

Reconhecimento facial e terapia financeira 

Um banco na Nova Zelândia, BNZ, utilizou um software de reconhecimento facial para identificar como as pessoas se sentiam em relação ao dinheiro delas. No começo, o objetivo era fornecer insights para o banco desenvolver novos produtos a partir da reação dos indivíduos a anúncios. Depois, a intenção foi de atrair as pessoas para falarem com os consultores financeiros do banco e aprenderem a retomar o controle financeiro. Ou seja, um tipo de sessão de terapia financeira.

O banco contou com a ajuda de um professor de psicologia, Dr. Stuart Carr, e uma empresa desenvolvedora de software para reconhecimento de emoções, nViso.

Por meio do EmotionScan – software de reconhecimento facial criado na época –, as pessoas poderiam se autoavaliar em relação a áreas importantes da gestão financeira, como fluxo de caixa, poupança, seguro, orçamento, hipoteca, aposentadoria, controle financeiro, dívidas, dependentes, doações.

A partir da apresentação de alguns cenários hipotéticos, o EmotionScan mostrava quais eram as áreas que mais precisavam de atenção. Assim, dentro do software, as pessoas poderiam marcar um bate-papo com os consultores financeiros do banco.

E para quem precisa de ajuda para reconhecer as necessidades da conciliação financeira de uma empresa?

Basta acessar este link.

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