O que é PIX e como ele mudará os meios de pagamento para sempre

26 setembro 2020
O potencial do PIX de revolucionar os meios de pagamento está sendo descoberto só agora e este artigo objetiva ajudar os profissionais que o adotarão em sua gestão financeira para conhecê-lo bem para tirar o melhor proveito de seus benefícios.

PIX é uma inovação importante para o mercado financeiro brasileiro e para todos os outros que realizam ou não muitas transações financeiras diariamente. Mas pouco se sabia sobre o que o novo meio de pagamento pode trazer de benefício às pessoas, desde que foi anunciado pelo Banco Central em fevereiro de 2020.

O meio de Pagamento Instantâneo (PIX) permitirá transações financeiras entre pessoas físicas, jurídicas, entidades governamentais etc. sem restrições de horários ou dias úteis como costuma ocorrer com as operações financeiras tradicionais.

Há quem imagine que o PIX será capaz de tornar obsoletas outras modalidades de transferências de uma conta bancária para outra, por exemplo DOC (Documento de Ordem de Crédito) ou TED (Transferência Eletrônica Disponível), como também poderá substituir outros meios de pagamento, como cheque, boleto, dinheiro físico etc.

Essa mudança não é apenas imaginada, sobretudo, desejada já que todo o ecossistema financeiro brasileiro tem evoluído constantemente e, por isso, precisa de ferramentas que se adequem à realidade.

Apesar dos muitos pontos positivos que o PIX possui, ele ainda é visto com desconfiança entre alguns consumidores; reação comum a qualquer nova tecnologia lançada. Por isso, é fundamental que os profissionais que estarão direta e indiretamente envolvidos com a utilização do Pagamento Instantâneo o compreendam em detalhe a fim de aproveitá-lo ao máximo em sua estratégia de gestão financeira.

O que é PIX? 

O PIX é um novo meio de Pagamento Instantâneo que ocorre por meio de transferência de dinheiro disponível 24h por dia durante os 7 dias da semana, incluindo feriados; independentemente da instituição financeira que o pagador e o recebedor estejam vinculados.

O pagamento com PIX pode ser feito de todos para todos. Fonte: Banco Central.

O pagamento com PIX pode ser feito de todos para todos. Fonte: Banco Central.

Não é só isso, pois, a palavra “instantâneo” contida na sigla PIX é literal, ou seja, a transação leva apenas alguns segundos para ser concluída sem necessidade de haver compensação bancária – que hoje precisa de pelo menos 3 dias úteis para ser feita em boletos, por exemplo. O que poderá resultar em redução de custos e na extinção de multas por atraso de pagamento.

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A expectativa é que o PIX seja gratuito para pessoas físicas e que tenha uma taxa de R$ 0,01 para cada 10 transações, que será paga por pessoas jurídicas que o utilizarem. Ele entrará em vigor a partir de novembro de 2020. Atualmente, as taxas para transações podem custar até R$ 20.

O Banco Central determinou 6 objetivos com o PIX:

Como o PIX vai funcionar? 

Já que a comodidade é uma das palavras de ordem nesse novo meio de pagamento, para realizar uma transação não é necessário fazer download de nenhum app. O PIX vai funcionar diretamente do Internet Banking de um Banco ou Carteira digital de determinada fintech que o pagador e o recebedor tenham uma conta. É nessas instituições financeiras onde o usuário poderá cadastrar sua Chave PIX – uma chave de acesso gerada para identificar uma conta com o CPF ou CNPJ, número de telefone, chave aleatória ou e-mail – a partir de 05 de outubro de 2020.

Essa chave de acesso combina informações básicas com outras mais completas que podem identificar a conta que uma pessoa usa para realizar a transação, como seu número da agência bancária, o tipo de conta e o número da conta, por exemplo.

Apesar de não ser obrigatório para utilizar o PIX, o cadastro da Chave PIX é altamente recomendável pelo BC. Pois, sem o cadastro da chave de acesso, poderá haver uma demora para a iniciação da transação e o pagador não vai aproveitar a agilidade do pagamento instantâneo.

Funcionamento do PIX. Fonte: G1.

Funcionamento do PIX. Fonte: G1.

Ao contrário do que acontece hoje para efetuar uma transferência entre bancos distintos por meio do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), realizar um pagamento/transferência com o Pagamento Instantâneo será mais fácil porque não haverá necessidade de solicitar dados sobre conta e agência bancária, por exemplo. Por meio da Chave PIX, o pagamento poderá acontecer de duas formas: QR code e Pagamento por aproximação.

QR code estático e QR code dinâmico

O QR code estático é destinado às pessoas físicas, prestadores de serviços e pequenos varejistas. Podendo ser reutilizado em diversas transações, além de funcionar com um valor fixado ou permitir que um novo valor seja definido no ato do pagamento pelo pagador.

Já o QR code dinâmico é gerado por um sistema e será mais usado em transações financeiras comerciais, como compras de supermercado, por exemplo. Com o dinâmico, sempre é gerado um novo código com a quantidade de informações (como dados sobre o recebedor) necessárias que precisarão e poderão ser inseridas para facilitar a identificação futura daquela compra/venda e, assim, diminuir riscos de fraude. O QR code dinâmico facilita a conciliação financeira e a automação de processos.

Diferente da função de pagamento pelo PIX com QR code, a função de transferir dinheiro também com QR code tem previsão de acontecer apenas em 2021. A modalidade de pagamento por aproximação – Near Field Communication (NFC) – com o PIX também ficará para o ano que vem.

O PIX é seguro?

O Banco Central garante que os dados e informações utilizados no PIX são protegidos em sigilo bancário; como já acontece com as transações financeiras por meio de DOC e TED, por exemplo. Os dados contidos na Chave PIX são armazenados e também criptografados no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), ou seja, ninguém poderá acessá-los.

Com o objetivo de oferecer ainda mais segurança aos usuários e instituições financeiras, alguns presidentes dos maiores bancos no Brasil, como Octavio de Lazari (presidente do Bradesco) e Cândido Bracher (presidente do Itaú) defendem que a implementação do PIX aconteça em etapas.

A ideia sugerida por Lazari durante a Conferência Anual do Santander é de que, inicialmente, as transações por meio do PIX sejam com valores menores. Ele coloca um ponto de atenção sobre o novo meio de pagamentos para evitar que fraudes ocorram. Como as mais de 600 mil fraudes em transferências do benefício fornecido pelo Governo Federal a uma parcela da população brasileira em situação de vulnerabilidade social e financeira durante a pandemia do novo coronavírus.

Bracher destacou que grandes transformações exigem todos os cuidados possíveis. Um novo meio de pagamento como o PIX, em sua visão, exige mecanismos de segurança e controle de riscos que, segundo Bracher, sua administração tem feito.

Lazari, por sua vez, lançou uma questão durante o evento: O fato de estar todo o sistema centralizado no Banco Central é uma preocupação. Como será essa empresa no futuro, uma estatal? A observação poderá ser respondida em breve pelo BC, resta agora aguardar.

Quem já aderiu ao PIX?

Como mencionado neste artigo, o Banco Central tem pelo menos 6 objetivos com o PIX. E para obter êxito, determinou que instituições financeiras que tenham mais de 500 mil contas ativas têm a obrigatoriedade de oferecer o PIX. Há pelo menos 34 empresas com esse perfil. Em caso de se possuir uma quantidade menor que a citada, fica a critério da empresa oferecer ou não o novo meio de pagamento aos clientes.

A participação das instituições financeiras pode acontecer direta ou indiretamente:

Criptomoedas, como Bitcoin, também poderão ser transacionadas com o Pagamento Instantâneo sem restrições, segundo o BC. Toda e qualquer instituição financeira que aderir ao PIX, mas não for regulada pelo Banco Central poderá participar por meio de um participante direto. Este participante, por sua vez, terá a responsabilidade de avaliar a empresa de criptoativos quanto a operação técnica e integração de capital mínimo que venha a ser solicitado.

Mais de 980 instituições financeiras estão em processo de adesão ao PIX, como cooperativas, bancos públicos e privados – Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú etc. –, além de fintechs como Nubank, Neon, Banco Inter, C6, PicPay etc. Como o prazo para solicitar inscrição no novo meio de pagamento acabou em junho, haverá uma nova etapa para inscrições em dezembro de 2020.

A estratégia utilizada pelo Banco Central para que o consumidor passe a utilizar o Pagamento Instantâneo em larga escala é fazer convênios entre o BC e entidades governamentais para que elas aceitem pagamento de contas por meio do PIX. Segundo João Manoel de Mello, diretor da Organização do Sistema Financeiro do BC, os acordos com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por exemplo, conduzem a expectativas positivas nesse contexto.

Como o PIX mudará os meios de pagamento para sempre? 

O impacto esperado com a implementação do PIX no mercado financeiro brasileiro vai provocar mudanças significativas na forma como as pessoas, instituições financeiras, governos etc. lidam com o dinheiro. Será o fim do dinheiro físico? O próprio BC afirmou que será possível fazer saques com o PIX.

O PIX vai provocar o apocalipse do uso de terminais POS e gerar o fim da guerra das maquininhas? – que mal começou. O que precisa ser feito é lutar contra o PIX ou se adaptar a ele?

Quem pode fazer uma TED hoje? Só os bancos que estão credenciados na CIP. E com o PIX será possível ter uma capacidade de conexão nesse sistema. Veremos todas as empresas do setor financeiro e fintechs com a possibilidade de participar desse sistema e aumentar a capilaridade de participação desse novo meio de pagamento. – Fabrício Costa, fundador da Equals

Em síntese, o PIX mudará negócios de meios de pagamento, afinal ele foi construído para isso. Todo o seu potencial será mais bem aproveitado pelas empresas que o tomarem para dentro de sua gestão financeira e o encaixarem estrategicamente em sua transformação digital.

Se quiser ir rápido, vá com o PIX. Se também quer ir rápido e longe, vá com a Equals. A Equals é a única conciliadora financeira do Brasil com mais de 90 meios de pagamento integrados. Isso significa que a ferramenta reúne, automaticamente, todos os extratos eletrônicos que uma empresa precisa acompanhar.

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